SOU DO CEARÁ


"Eu sou de uma terra que o povo padece
Mas não esmorece e procura vencer.
Da terra querida, que a linda cabocla
De riso na boca zomba no sofrer
Não nego meu sangue, não nego meu nome
Olho para a fome , pergunto o que há ?
Eu sou brasileiro, filho do Nordeste,
Sou cabra da Peste, sou do Ceará."


Patativa do Assaré

domingo, 22 de julho de 2012

" PEGA BOI NO MATO "


Cultura popular

" Começa 6ª edição do ´Pega de Boi no Mato´ em Canindé "


" O evento deve reunir, além de um grande público, mais de 100 vaqueiros, que mantêm a tradição nordestina "
 FOTO: ANTÔNIO CARLOS ALVES
Canindé 


"  Hoje é domingo, dia de reunir a família, os amigos e rumar para a Fazenda Pedro Rocha, que abre suas cancelas para apresentar a 6ª edição do Pega de Boi no Mato, reunindo toda a "vaqueirama" canindeense e de outras regiões do Ceará. É o resgate de um dos esportes mais apreciados pelos vaqueiros."

"O pega de boi acontece no meio da vegetação fechada, com vaqueiros que se embrenham no mato, em cima de seus cavalos, para pegar o boi. Enfrentam espinhos de juremas e touceiras de xique-xique "


" A tradição do pega de boi chegou a Canindé, em 2007, para resgatar a história da colonização e a expansão da criação de gado, quando não existiam cercas delimitando as fazendas, e o boi era solto na caatinga. Ao final da estação chuvosa, os fazendeiros reuniam os vaqueiros da região para pegar o boi, marcá-los a ferro e conduzi-los para áreas onde os pastos eram mais abundantes.

O evento é uma maneira de resgatar uma das mais autênticas tradições canindeenses, preservando uma cultura genuinamente nordestina. ´´Nosso objetivo é manter viva a memória de um personagem que faz parte da história da criação de Canindé, reconhecendo a sua importância e seu valor na manutenção dessa tradição", ressalta o fazendeiro Romildo Rocha, idealizador do evento.

Diferentemente da famosa vaquejada, onde o boi corre numa arena marcada pela cal e é perseguido por uma dupla de cavaleiros, o Pega de Boi no Mato acontece no meio da vegetação fechada, com vaqueiros que se embrenham no mato, em cima de seus cavalos, para pegar o boi. Enfrentam espinhos de juremas e touceiras de xique-xique, demonstrando coragem e valentia. Segundo Romildo Rocha, atualmente, participam da festa mais de 100 vaqueiros.

Tradição
Ele lembra que, na época dos coronéis, quando não existiam cercas no sertão nordestino, os animais eram marcados e soltos na mata. Depois de alguns meses, os fazendeiros do sertão nordestino se reuniam para juntar o gado. Mesmo com as dificuldades, eles conseguiam trazer os bois ao coronel. Nessa luta, alguns desses homens se destacavam por sua valentia e habilidade. Foi daí que surgiu a ideia da realização das disputas.

O Ceará é apontado como o Estado que deu o primeiro passo para a prática do esporte. A cidade de Canindé se tornou o berço dessa modalidade, onde a tradição foi resgatada. "Todo fim de semana tem pega do boi no mato na zona rural e até mesmo na zona urbana. É uma disputa sadia", observa o presidente da Associação dos Vaqueiros de Canindé, José Curdulino Filho.

Histórico
O historiador Câmara Cascudo dizia que, por volta de 1810, ainda não existia a vaquejada, mas já se tinha conhecimento da pega de boi no mato. Somente em 1874 apareceu o primeiro registro sobre vaquejada. No Ceará, o escritor José de Alencar escreveu a respeito da "puxada de rabo de boi".

"No Nordeste, desde a colonização, o gado sempre foi criado solto. A coragem e a habilidade dos vaqueiros eram indispensáveis para manter o gado junto. O vaqueiro veio tangendo os bois, abrindo estradas e desbravando regiões´´, conta a mestre da cultura de Canindé, Dina Maria Martins, dizendo que a figura do vaqueiro merece ser honrada.

Sem registros precisos, sabe-se apenas que, em meados de 1940, os vaqueiros começaram a tornar público suas habilidades, na Corrida do Mourão, que começou a ser uma prática popular no Nordeste. De 1880 a 1910, a prática era com a lida do boi, com apresentações em sítios e fazendas. Porém, ainda não existia o termo vaquejada. O Brasil vivia um momento de transição da Monarquia para a República.

De 1920 a 1950, a ideia da festa da vaquejada começava a existir com as brincadeiras de argolas e corridas de pé de mourão. Nesse período, o temido Lampião costumava participar das festas, nas fazendas de amigos. De 1960 a os anos 70, começaram as disputadas das primeiras vaquejadas. Ainda eram eventos de pequeno porte.

De 1980 aos anos 90, as regras da vaquejada foram modificadas. A faixa dos seis metros, que exigia força do vaqueiro, passou a ser de dez metros, cuja principal característica é a técnica. Começam a ser distribuídos prêmios para os competidores. O público ainda era pequeno.

Dos anos 90 até hoje, a vaquejada é encarada como um grande negócio. Os organizadores começam a cobrar ingressos e o público entende a proposta. O vaqueiro é reconhecido como um atleta da pista. Na Fazenda Pedro Rocha, Romildo vai aproveitar o momento para homenagear o centenário de Luiz Gonzaga, um dos maiores defensores da cultura popular do Nordeste."

Mais informações: "Pega de Boi no Mato" Fazenda Pedro Rocha, Cachoeira dos Lessas, Canindé - Telefone: (85) 8785.5954 - Romildo Rocha (organizador)



COLABORADORANTÔNIO CARLOS ALVES



FONTE: DIÁRIO DO NORDESTE
http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=1162655

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