SOU DO CEARÁ


"Eu sou de uma terra que o povo padece
Mas não esmorece e procura vencer.
Da terra querida, que a linda cabocla
De riso na boca zomba no sofrer
Não nego meu sangue, não nego meu nome
Olho para a fome , pergunto o que há ?
Eu sou brasileiro, filho do Nordeste,
Sou cabra da Peste, sou do Ceará."

Patativa do Assaré

sábado, 24 de agosto de 2013

IZAÍRA SILVINO FAZENDO HISTÓRIA NA MÚSICA DO CEARÁ

  "Aos 68 anos, a professora Izaíra Silvino, que fez das apresentações do coral da UFC verdadeiros espetáculos, conserva no jeito de ver a vida e a música a leveza própria de uma menina"




FOTO: TATIANA FORTES



" Aos 68 anos, Maria Izaíra Silvino Moraes é uma menina ainda. Nas vivências que acumulou não perdeu a timidez e a leveza guardadas no sorriso algo infantil. É assim que ela desvela as histórias que lhe compõem: entre uma gargalhada sapeca e as mãos cerradas, tensas.

Na tarde da última quarta-feira, entre as pisadas altivas da gata Turquesa sobre a mesa onde a conversa fluía, música foi o mote para descobrir a vida de Izaíra. Tutuca, como chama carinhosamente o bichano, teria de esperar pelo carinho exigido.

Era preciso, primeiro, contar de quando ganhou seu primeiro cachê por causa da música: um relógio de ouro prometido pelo pai que desafiou a menina nos seus 5 anos a reproduzir um chorinho ouvido por ele. Ante a provocação, Izaíra correu para a professora de bandolim que havia em Iguatu, onde morava naqueles tempos, e três meses depois, lá estava ela, mostrando ao genitor o que aprendera.

Acertou o chorinho e ganhou o pagamento. Desde então, não parou mais de bulir no instrumento. “A mamãe me botava pra tocar bandolim pra quem chegasse lá em casa, e eu acostumei a ser muito apresentada. Adorava tocar pro povo aplaudir. Daí pra ficar gaiata foi num minuto”, desmancha-se num riso faceiro. E ressalva, em seguida: “eu sou danada, mas sou tímida”.

Primeiros estudos
De família numerosa, só de irmãos tinha onze, pôde se dedicar aos estudos de música graças ao maestro Orlando Leite. Ao ouvir a chorona de 11 anos desfiando o bandolim na Casa de Juvenal Galeno ele a convidou para uma audição no Conservatório Alberto Nepomuceno.
“Perguntei logo: é pago? Ele disse: é. Aí falei que meu pai tinha muito filho e não podia pagar conservatório. Mas ele disse: vá lá”, conta ela, que foi e ganhou uma bolsa até que entrasse na universidade. “Ele que me deu a possibilidade de ser estudiosa de música”, diz.

No Conservatório, trocou o bandolim por outro instrumento, ainda mais exigente. “Violino é pior que marido ciumento”, compara, enfatizando a necessidade da prática constante.

Sem curso superior de música na Cidade, Izaíra cursou Direito na UFC, para só depois ingressar no curso criado pelo mesmo conservatório em parceria com a Universidade.

A regência
Após o curso, movida por uma curiosidade sobre a cultura popular, Izaíra mudou-se para o Crato. Lá conheceu Padre Ágio Moreira e seu projeto de música numa pequena comunidade. Foi quando teve a primeira experiência como regente. Missão que, segundo o sacerdote, seria destino de Izaíra, que deveria continuar a obra iniciada por ele. Ao menos essa teria sido a revelação feita pelo Espírito Santo. “Aí eu disse que o Espírito Santo não tinha acertado porque eu queria casar e ter filho, e lá não ia conseguir arranjar marido”, conta, sempre sorrindo. No entanto, ainda hoje, é para lá que Izaíra vai uma vez por ano, cumprir a tarefa divina.
Ainda por causa do violino, foi ao Rio Grande do Norte fazer um curso. Queria voltar a tocar em orquestra, mas por acaso, num dia em que seu professor faltara, entrou numa aula de regência e foi empurrada para a frente dos músicos. Samuel Kerr, o maestro, apontou ali a verdadeira vocação de Izaíra. O marido ciumento que se conformasse, acabava de perder a amada para a batuta. “Quando voltei pra Fortaleza, comecei a me enxerir como regente”, diz.

Assumiu o Coral da UFC e, “por escolha de ideologia musical”, resolveu que só cantariam música brasileira, nordestina em especial. Mais que isso: decidiu transformar as apresentações do coro em espetáculos. Foram quase dez anos à frente do Coral, que até hoje mantém o formato introduzido por Izaíra.

Hoje aposentada da Universidade, é assessora da Funarte e vive a viajar dando palestras sobre os movimentos e histórias que incluiu nos corais. Ainda dá aulas voluntariamente e escreve sobre educação e música - mas a paixão é reger. “Porque o regente não manda no coro, ele coordena sentimentos”, define, sábia como uma criança.

Quem

ENTENDA A NOTÍCIA

A professora Izaíra Silvino, uma das responsáveis pelo movimento coralista nos anos 80, é a perfilada deste sábado. Os movimentos e as histórias que introduziu ao formato inovaram o interesse pelos corais na Cidade

Saiba mais

Tudo por meio da música

• Izaíra é casada com Didi Moraes há 31 anos. Segundo ela, foi “amor à primeira vista de cego”, já que o marido não enxerga. Logo que se conheceram, apresentados por um de seus alunos de coral, namoraram apenas dois meses e 26 dias.

• Entre os livros publicados por Izaíra, dois recentes versam sobre educação e música. Esmiuçando saberes de gente semente e Ah, se eu tivesse azas, ambos de 2011.

• Izaíra diz que gosta de tudo o que é bom, independente de gênero. Daí estarem entre seus artistas preferidos Janis Joplin, Jair Rodrigues e Antônio Nóbrega."



FONTE:  JORNAL O POVO
http://www.opovo.com.br/app/colunas/geniosdaraca/2013/08/24/noticiasgeniosdaraca,3116303/izaira-silvino-a-menina-regente.shtml



*************************************


falAÇÃO


IZAÍRA SILVINO foi minha professora de Educação Artística, na Colégio Estadual Prof. João Hipólito de Azevedo e Sá - SALESIANO - PIEDADE.

GRAÇAS  AO SEU TRABALHO E DEDICAÇÃO, ESCREVI MEUS PRIMEIROS VERSOS, ESCREVI LETRAS DE MÚSICAS E TEXTOS PARA TEATRO, POIS ANUALMENTE ELA REALIZAVA SEMANAS CULTURAIS, ONDE OS ESTUDANTES TINHAM A OPORTUNIDADE  DE MOSTRAREM SEUS TALENTOS.

OBRIGADO  IZAÍRA... VOCÊ  É " CULPADA " PELA MINHA  LOUCURA POR POESIA E  PELAS   ARTES...

AURIBERTO CAVALCANTE

Nenhum comentário:

Postar um comentário